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IA nas eleições de 2026: o que as regras do TSE exigem de conteúdo feito com IA

Conheça as regras do TSE para IA nas eleições de 2026: identificação de conteúdo, deepfakes, restrições perto da votação e revisão de campanhas.

IA nas eleições de 2026: o que as regras do TSE exigem de conteúdo feito com IA
Imagem: capa editorial — Tutoriais e Guias

Nas eleições de 2026, o uso de inteligência artificial em propaganda exige verificar o conteúdo, a identificação da manipulação e o momento de circulação. Um aviso de IA não torna uma peça automaticamente permitida. Há proibições específicas, inclusive para deepfakes e para determinados conteúdos novos perto da votação.

A referência é a Resolução TSE nº 23.610/2019 em seu texto atualizado, com as mudanças da Resolução nº 23.755/2026. Para uma agência, produtora ou equipe de comunicação, a decisão prática é aprovar o processo antes de agendar: origem dos arquivos, alterações realizadas, rótulos, revisão eleitoral e calendário. Fontes verificadas em 19 de outubro de 2026.

Resumo rápido

  • Rotulagem precisa ser explícita, destacada, acessível e compatível com o formato.
  • Informar o uso de IA não elimina proibições sobre manipulação e desinformação.
  • A restrição temporal de 2026 alcança conteúdos sintéticos novos com imagem, voz ou manifestação de candidatura ou pessoa pública.
  • Chatbots de campanha não podem simular conversa com a pessoa candidata ou outra pessoa real.
  • Guarde originais, versões e registros da produção para demonstrar como a tecnologia foi utilizada.

Qual regra consultar antes de produzir uma peça

A Resolução nº 23.755, de 2 de março de 2026, alterou a regulamentação da propaganda eleitoral. Uma consulta útil precisa considerar o texto atualizado e a situação concreta. Guardar uma notícia de 2024 como única referência deixa de fora mudanças relevantes para esta eleição.

Na triagem editorial, faça três perguntas separadas. A peça é propaganda? Houve fabricação ou manipulação enquadrada nas regras? Existe alguma vedação que impeça sua circulação? A terceira pergunta vem antes de decidir o tamanho do aviso. Evita que o trabalho avance até a edição final quando a própria proposta exige ser descartada.

O comunicado do TSE sobre as regras de 2026 destaca também a proibição de recomendações de candidaturas por provedores que ofereçam sistemas de IA. Não confunda a obrigação dirigida a esses provedores com a revisão de uma peça de propaganda: são responsabilidades diferentes.

Os controles sugeridos neste guia organizam a produção. Não são um formulário oficial do Tribunal e não substituem a análise eleitoral de casos limítrofes. Defina quem toma a decisão final e quem consegue interromper a distribuição.

Como planejar identificação e revisão do conteúdo

O TSE explica, em sua orientação sobre IA na campanha de 2026, que a identificação precisa ser explícita, destacada e acessível. A revisão deve considerar a peça que efetivamente chega ao público, não apenas o arquivo aberto no programa de edição.

Como procedimento de produção, crie versões de teste para celular, reprodução sem som e recorte vertical. Confira se uma legenda da plataforma cobre o aviso e se a compressão prejudica a leitura. Registre o nome da tecnologia utilizada e descreva o que ela fez. Um fornecedor não deve entregar somente o resultado final sem informar o processo.

Uma indicação operacional pode dizer que determinado elemento visual foi gerado por IA e identificar a ferramenta. Isso é um exemplo de organização da informação, não uma fórmula de aprovação do TSE. A equipe jurídica precisa conferir conteúdo, formato e contexto antes da veiculação.

Formato O que a revisão deve conferir Falha de produção a evitar
Áudio Aviso no início e compreensão na reprodução Informação apenas no nome do arquivo
Imagem estática Marca d’água e audiodescrição Rótulo oculto pelo recorte da plataforma
Vídeo Identificação visual e sonora compatível Versão curta que perde os avisos
Impresso Identificação em cada página ou face aplicável Aviso somente na capa do conjunto
Impulsionamento Declaração no campo específico do provedor Tratar o campo como substituto do aviso na peça

Essas exigências de formato estão no art. 9º-B da Resolução nº 23.610/2019 atualizada. Para o controle interno, peça a uma pessoa que não participou da edição para identificar o aviso. Se ela precisa procurar, vale revisar a execução antes de publicar.

Restrições temporais, deepfakes e assistentes de campanha

O art. 9º-B, § 3º-A, veda publicação, republicação gratuita e impulsionamento pago de novos conteúdos sintéticos que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidatura ou pessoa pública nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores ao término do pleito, mesmo rotulados. A redação tem um alcance específico; não a resuma como proibição de qualquer tarefa interna com IA.

A equipe deve conferir a aplicação do intervalo ao turno e ao calendário relevantes com a assessoria eleitoral. Evite calcular horários de memória ou considerar que uma peça agendada está fora da regra por ter sido produzida antes. Produção, agendamento e circulação são acontecimentos distintos.

Há ainda vedação a deepfake em áudio, vídeo ou combinação para favorecer ou prejudicar candidatura, mesmo com autorização da pessoa retratada. Chatbots e avatares intermediando comunicação também devem ser identificados e não podem simular interlocução com pessoa candidata ou outra pessoa real. Essas regras constam dos arts. 9º-B e 9º-C.

Na contratação de uma produtora, inclua uma etapa para detectar propostas que reproduzam voz ou presença de alguém. Não basta perguntar se o arquivo “parece natural”. A questão é qual pessoa está sendo representada, o que a peça faz o público acreditar e como ela será usada na campanha.

Para reconhecer manipulações e organizar a resposta interna a arquivos suspeitos, veja o guia de golpes com voz clonada e deepfake. No contexto eleitoral, a avaliação precisa considerar também as restrições próprias da propaganda.

Um fluxo de aprovação com arquivos e responsáveis

Como recomendação de trabalho, estabeleça uma ficha que acompanhe cada peça desde o pedido. Ela deve conter objetivo, canais previstos, responsável, arquivos de origem, ferramenta usada, transformação realizada, revisão factual e decisão de publicação. Uma mudança de voz ou imagem depois da aprovação exige nova passagem pelo fluxo.

  1. Receber o material original. Preserve uma cópia com acesso controlado e identifique quem o forneceu. Arquivo encaminhado por aplicativo não prova autenticidade.
  2. Classificar a transformação. Diferencie correção técnica, geração de elemento e alteração da representação de uma pessoa. Encaminhe dúvidas antes de editar.
  3. Verificar afirmações. Localize documentos, gravações completas e contexto. Um resumo automático pode trocar o sentido de uma fala verdadeira.
  4. Revisar legalidade e apresentação. A análise precisa abranger a mensagem e a execução dos avisos, além do calendário.
  5. Conferir a distribuição. Verifique a versão final em cada canal e registre onde foi colocada, inclusive adaptações entregues a parceiros.

A documentação ganha relevância com o art. 9º-I, incluído em 2026. Ele permite inversão motivada do ônus da prova em determinadas representações sobre conteúdo sintético quando demonstrar a manipulação for excessivamente oneroso ao autor. O responsável poderá precisar demonstrar em quais etapas empregou IA e a veracidade do conteúdo.

Uma política de uso de IA para a equipe ajuda a estabelecer responsáveis e canais de aprovação. Preserve somente o necessário, com controle de acesso. O arquivo de evidências não deve virar uma pasta pública de documentos pessoais.

Exemplo: produtora de comunicação em Recife

Este é um exemplo ilustrativo. Uma produtora em Recife recebe um pedido para adaptar um vídeo de campanha a diferentes formatos. O cliente sugere trocar a fala por uma voz sintética parecida com a da pessoa candidata, porque ela não está disponível para gravar novamente.

A produtora interrompe essa proposta e encaminha o caso à assessoria eleitoral. Não pressupõe que uma autorização assinada e um aviso resolveriam a reprodução da voz. A alternativa submetida à revisão usa a gravação original, com cortes que preservam o contexto, ou solicita uma nova gravação real.

Em outro material, a equipe propõe um elemento visual gerado. Ela descreve a transformação, identifica a tecnologia e verifica se o resultado representa falsamente uma situação real. A classificação não depende apenas de o arquivo ter sido criado em uma ferramenta chamada “editor”.

Antes do agendamento, a coordenadora confere o intervalo eleitoral aplicável e as versões entregues. Mantém uma lista dos responsáveis pelos canais, pois uma peça pode circular também por fornecedores e grupos de apoio. O teste de entrega observa se a plataforma cortou o aviso ou substituiu a miniatura.

Não há promessa de ganho de alcance neste exemplo. O resultado esperado do procedimento é conseguir explicar o caminho da peça, impedir versões sem revisão e interromper a circulação quando necessário. As mesmas precauções ajudam a separar um defeito técnico de uma decisão editorial equivocada.

Erros comuns

  • Achar que “feito com IA” autoriza tudo. Primeiro verifique as vedações; depois trate identificação e formato.
  • Reutilizar uma orientação de eleição anterior sem atualização. Mantenha a referência normativa e a data de consulta na ficha editorial.
  • Esquecer republicações gratuitas. O planejamento deve alcançar parceiros, cortes e canais secundários, não apenas mídia paga.
  • Entregar somente o arquivo final. Solicite ao fornecedor originais e descrição das transformações relevantes.
  • Confiar no modelo para confirmar a própria resposta. Confira fatos em documentos e fontes independentes da geração. Veja como lidar com alucinação em IA.
  • Usar detecção automática como prova definitiva. Preserve o contexto e encaminhe suspeitas para apuração adequada.

Se houver dúvida sobre uma peça já distribuída, não improvise uma nova versão para esconder a origem. Acione os responsáveis, controle os canais e preserve o histórico necessário. Quando existe uma ordem judicial, a resposta deve seguir seu conteúdo e a orientação profissional responsável pelo caso.

Perguntas frequentes

Posso usar IA apenas para organizar ideias de um roteiro?

Essa tarefa interna é diferente de circular conteúdo sintético com imagem ou voz. Ainda assim, revise fatos e o resultado final. O uso de uma ferramenta para escrever não elimina a responsabilidade sobre o que será publicado.

A autorização da pessoa candidata permite clonar sua voz?

Não trate a autorização como liberação automática. O TSE inclui a autorização na vedação de deepfake para favorecer ou prejudicar candidatura. Submeta a proposta à revisão eleitoral antes de contratar ou produzir.

O campo de IA do anúncio substitui o aviso no vídeo?

Não. O campo específico para impulsionamento se soma às exigências de apresentação na peça. A aprovação precisa conferir tanto a configuração do anúncio quanto o arquivo que o público recebe.

Posso ter um chatbot de campanha?

A regulamentação trata desses intermediários e exige identificação, vedando simular conversa com pessoa candidata ou outra pessoa real. Uma opção de desenho é apresentar claramente o serviço como assistente automatizado e encaminhar dúvidas a pessoas responsáveis.

Como consultar decisões sobre uma peça parecida?

O TSE mantém um repositório de decisões sobre desinformação. Compare contexto, fundamento e resultado, não apenas palavras semelhantes. Um caso anterior pode orientar a análise, mas não certifica automaticamente outra criação.

Fontes e leitura recomendada

Sobre

A Redação IA Mágica é formada por especialistas e pesquisadores em inteligência artificial aplicada, agentes autônomos, automações no-code/pro-code e grandes modelos de linguagem (LLMs). Nossos conteúdos cobrem implementações reais, análises e tutoriais aprofundados para profissionais e empresas.