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Muse Spark e o fim da Llama API: a nova estratégia de modelos da Meta

A Meta fechou a Llama API em julho e passou a vender os modelos Muse na Meta Model API. Entenda o que mudou, quanto custa e como migrar.

Muse Spark e o fim da Llama API: a nova estratégia de modelos da Meta
Imagem: capa editorial — Modelos de Linguagem

A Meta trocou o centro da sua estratégia de modelos. Em 8 de abril de 2026 lançou o Muse Spark, primeiro modelo do Meta Superintelligence Labs (MSL), fechado e feito para os produtos da empresa. Em 6 de julho de 2026 encerrou a prévia pública da Llama API, o serviço hospedado em que desenvolvedores chamavam modelos Llama. Três dias depois abriu a Meta Model API, que hoje vende acesso aos modelos Muse por token. Os pesos do Llama continuam disponíveis para download e em provedores terceiros.

Para quem desenvolve, a consequência prática é simples: quem usava a Llama API precisou migrar, e quem começa um projeto agora escolhe entre três caminhos. Pagar por uso na Meta Model API, rodar um modelo aberto (Llama, Muse Spark Open ou Muse Glimmer) no próprio servidor, ou usar um provedor terceiro. A Meta não confirmou se a Meta Model API aceita cadastros do Brasil.

Resumo rápido

  • Muse Spark é a família de modelos do MSL, lançada em abril de 2026; a versão recomendada para novos projetos na API é a muse-spark-1.3.
  • A prévia pública da Llama API foi encerrada em 6 de julho de 2026; os pesos do Llama seguem disponíveis para download.
  • A Meta Model API (prévia pública desde 9 de julho de 2026) é compatível com os SDKs da OpenAI e da Anthropic e cobra por token.
  • O modo Contributor custa menos, mas autoriza a Meta a usar prompts, arquivos e respostas para treinar modelos.
  • A estratégia aberta não acabou: Muse Glimmer (30B, Apache 2.0) e Muse Spark Open (816B, Muse Model License) têm pesos públicos.
  • A Meta não confirmou disponibilidade da Meta Model API no Brasil; o país não está na lista de territórios restritos.

Linha do tempo: do Llama ao Muse

A mudança aconteceu em pouco mais de um ano. As datas abaixo vêm de anúncios e documentação oficiais da Meta.

Data O que aconteceu Fonte
29/04/2025 Llama API anunciada na LlamaCon como prévia gratuita e limitada, compatível com o SDK da OpenAI Blog AI at Meta
08/04/2026 Muse Spark, primeiro modelo do MSL, chega ao app Meta AI e ao meta.ai; API só em prévia privada para parceiros Sala de imprensa da Meta
06/07/2026 Fim da prévia pública da Llama API Aviso “Upcoming changes to Llama API” na documentação da Llama API
09/07/2026 Muse Spark 1.1 e prévia pública da Meta Model API Blog AI at Meta
12/08/2026 Muse Glimmer, modelo aberto de 30B sob Apache 2.0 Blog de desenvolvedores da Meta
12/10/2026 Muse Wonder e Muse Wonder Full, os modelos mais capazes da Meta até agora Sala de imprensa da Meta
15/10/2026 Muse Spark Open, versão de pesos abertos do Muse Spark Blog de desenvolvedores da Meta

O que é o Muse Spark

O Muse Spark foi apresentado como o primeiro modelo da série Muse, construído pelo MSL e “feito para os produtos da Meta”. O anúncio de abril o descreve como pequeno e rápido por projeto, com modos de resposta rápida e de raciocínio (Instant e Thinking), capacidade de disparar subagentes em paralelo e entendimento de imagens. A Meta disse na época que modelos maiores estavam em desenvolvimento e que esperava abrir versões futuras.

Desde então a família cresceu. Segundo a página de modelos da Meta Model API, há três versões hospedadas, todas com janela de contexto de 1.048.576 tokens e entrada de texto, imagem, vídeo, áudio e PDF:

  • Muse Spark 1.3 (muse-spark-1.3): recomendada para trabalhos novos, ajustada para fluxos agênticos e com código melhor que a 1.2. A documentação avisa que o entendimento de áudio nesta versão não tem suporte completo.
  • Muse Spark 1.2: versão anterior, ainda disponível.
  • Muse Spark 1.1: a versão original da API, só no modo Standard.

Acima do Spark, a Meta lançou em outubro o Muse Wonder, voltado a engenharia de software complexa e agentes de longa duração, disponível na API em prévia. O Muse Wonder Full fica restrito aos planos do Muse Code, a ferramenta de programação em terminal da empresa. Para entender quando um modelo de raciocínio compensa o custo extra, veja nosso guia sobre como escolher um modelo de IA.

O fim da Llama API: o que saiu e o que ficou

A Llama API nunca deixou a fase de prévia. No aviso “Upcoming changes to Llama API”, publicado na documentação do serviço, a Meta informou que encerraria a prévia pública em 6 de julho de 2026. Depois dessa data, as requisições passariam a receber uma resposta de desativação com orientação de redirecionamento. A página do aviso saiu do ar e o endereço antigo hoje leva ao dev.meta.ai.

Três pontos do aviso importam para quem tinha integração:

  • Os pesos continuam livres. Os modelos Llama seguem disponíveis para download pela página oficial de downloads e pelo Hugging Face, sob as licenças de cada versão.
  • A recomendação foi migrar para terceiros. A Meta orientou a transição para provedores que hospedam modelos Llama, listados na documentação de “Getting the models”.
  • A Meta Model API não foi apresentada como substituta direta. O aviso falava em novas formas de construir com os modelos da Meta no futuro, sem detalhes. A nova API, lançada três dias depois, serve modelos Muse, não Llama.

Como funciona a Meta Model API

A Meta Model API usa o endereço base https://api.meta.ai/v1 e, segundo a documentação, é compatível com o SDK da OpenAI, com o SDK da Anthropic e com ferramentas de agente que falam o formato da OpenAI. Ela oferece os protocolos Responses, Chat Completions e Messages. Isso reduz o custo de migração: em muitos casos basta trocar a URL base, a chave e o nome do modelo.

A cobrança é por uso. A tabela traz os preços publicados na página oficial de preços e limites em 17 de outubro de 2026, em dólares por milhão de tokens:

Modelo Entrada Entrada em cache Saída Observação
muse-wonder-1.0 US$ 4,00 US$ 0,20 US$ 20,00 Em prévia; só modo Standard
muse-spark-1.3, 1.2 e 1.1 US$ 1,25 US$ 0,15 US$ 4,25 Modo Standard
muse-spark-1.3-contributor e 1.2-contributor US$ 0,10 US$ 0,002 US$ 0,20 Seus dados podem treinar modelos da Meta

A busca na web como ferramenta de grounding custa US$ 2,50 por mil consultas, somados aos tokens. Os limites de taxa são por equipe, não por chave: 3.000 requisições e 4 milhões de tokens por minuto nos modelos Standard, e 150 requisições por minuto nas variantes Contributor.

O preço baixo do modo Contributor tem contrapartida

A diferença de preço é grande, e o motivo está na documentação: no modo Contributor você autoriza a Meta a usar prompts, código, arquivos, contexto e respostas para treinar modelos futuros. A própria Meta o indica para prototipagem e testes em que esse uso seja aceitável. Para dados de clientes, contratos ou qualquer informação pessoal, o modo Standard é o caminho, e mesmo assim vale avaliar a base legal, como explicamos no guia de segurança e LGPD na implantação de IA.

Pesos abertos: Llama, Muse Glimmer e Muse Spark Open

O fim da Llama API alimentou a leitura de que a Meta abandonou o código aberto. Os lançamentos de agosto e outubro mostram um quadro diferente: a empresa fechou o serviço hospedado, mas continua publicando pesos.

  • Llama 4 e versões anteriores: pesos disponíveis para download, cada um com sua licença Llama.
  • Muse Glimmer: modelo de 30 bilhões de parâmetros, destilado do Muse Spark, sob licença Apache 2.0, feito para agentes locais. Aceita texto e imagem e roda com Ollama, LM Studio, llama.cpp, vLLM e SGLang, segundo o anúncio.
  • Muse Spark Open: mistura de especialistas com 816 bilhões de parâmetros no total e cerca de 42 bilhões ativos por token, contexto de 1 milhão de tokens e licença própria, a Muse Model License. Os pesos estão no Hugging Face, e provedores como Groq, Together AI, Fireworks AI e OpenRouter oferecem o modelo hospedado.

Apache 2.0 é uma licença livre e permissiva; a Muse Model License é própria da Meta, então leia os termos antes do uso comercial. Para comparar com outras famílias abertas, veja nosso panorama de modelos open weights como DeepSeek, Llama e Qwen, e, para rodar os menores no seu computador, o guia de IA local com Ollama.

Disponibilidade no Brasil

Produto de consumo. A Meta anunciou em 24 de julho de 2026, na sala de imprensa brasileira, que os recursos agênticos da Meta AI, baseados no Muse Spark 1.1, começavam a chegar ao Brasil no app Meta AI e no meta.ai. Alguns recursos, como as compras no Marketplace, ficaram inicialmente restritos aos Estados Unidos.

API para desenvolvedores. A Meta não confirmou se a Meta Model API aceita contas do Brasil. A política de uso geográfico da API lista os territórios em que o serviço não pode ser usado, e o Brasil não está entre eles, mas o mesmo documento diz que o serviço não está disponível em todas as jurisdições e que a disponibilidade de modelos pode variar por país. A forma segura de saber é tentar o cadastro. Os pesos abertos não têm restrição de país citada nas páginas de download.

Para acompanhar o status de cada recurso da Meta no Brasil, consulte nossa página de integrações da Meta AI.

Exemplo: uma startup de Recife que dependia da Llama API

Imagine uma startup de Recife que usava a Llama API, desde a prévia, para classificar mensagens de clientes de clínicas odontológicas e sugerir respostas à recepção. Com o encerramento, ela tinha três rotas.

A primeira é continuar no Llama por um provedor terceiro. É a migração mais curta: o modelo é o mesmo, o prompt quase não muda e muitos provedores expõem formato compatível com a OpenAI. A segunda é testar a Meta Model API com o Muse Spark 1.3, o que exige reavaliar respostas, porque o modelo é outro. A terceira é rodar o Muse Glimmer no próprio servidor, opção que mantém as mensagens dos pacientes dentro da infraestrutura da empresa, mas exige GPU e operação.

Como as mensagens podem conter dados de saúde, o modo Contributor estaria descartado. Se a conta brasileira for aceita na Meta Model API, a troca no código seria pequena:

from openai import OpenAI

client = OpenAI(
    base_url="https://api.meta.ai/v1",
    api_key="SUA_CHAVE_MODEL_API",  # use variável de ambiente em produção
)

resposta = client.chat.completions.create(
    model="muse-spark-1.3",  # modo Standard: dados não vão para treino
    messages=[
        {"role": "system", "content": "Classifique a mensagem em: agendamento, "
         "dúvida de preço, urgência ou outro. Responda só com a categoria."},
        {"role": "user", "content": "Oi, quebrei um dente agora e está doendo muito."},
    ],
)
print(resposta.choices[0].message.content)

Antes da troca, a equipe compararia os dois modelos com mensagens reais anonimizadas. O exemplo é ilustrativo e não traz resultados medidos.

Erros comuns

  • Achar que o Llama acabou. Acabou o serviço hospedado da Meta. Os pesos seguem públicos e há provedores que servem os modelos.
  • Trocar só a URL e não testar. Muse Spark e Llama são modelos diferentes. Formato de saída, recusas e qualidade em português precisam ser reavaliados com casos reais.
  • Usar o modo Contributor com dados de clientes. O desconto vem da autorização para treino. Em dados pessoais, isso cria problema de LGPD e de contrato.
  • Tratar Muse Spark Open como Apache 2.0. Só o Muse Glimmer usa Apache 2.0. O Spark Open tem licença própria da Meta.
  • Dar como certa a disponibilidade no Brasil. A política geográfica não restringe o país, mas a Meta não confirmou a abertura. Planeje uma rota alternativa.

Perguntas frequentes

A Llama API foi mesmo encerrada?

Sim. A Meta avisou na documentação do serviço que a prévia pública seria encerrada em 6 de julho de 2026, com respostas de desativação a partir dessa data. O endereço antigo hoje leva ao portal dev.meta.ai, que não oferece mais modelos Llama hospedados.

O Muse Spark é aberto?

As versões hospedadas (1.1, 1.2 e 1.3) são fechadas. Em 15 de outubro de 2026 a Meta publicou o Muse Spark Open, com pesos abertos sob a Muse Model License. O Muse Glimmer, menor, usa Apache 2.0.

Posso usar o SDK da OpenAI com a Meta Model API?

Sim. A documentação diz que a API é compatível com os SDKs da OpenAI e da Anthropic, com os protocolos Responses, Chat Completions e Messages. Basta apontar a URL base para https://api.meta.ai/v1.

Quanto custa o Muse Spark na API?

No modo Standard, US$ 1,25 por milhão de tokens de entrada e US$ 4,25 por milhão de saída, segundo a página oficial de preços. O modo Contributor custa menos em troca do uso dos seus dados para treino. Preços podem mudar; confira a página antes de orçar.

O Muse Spark funciona em português?

A Meta AI, que usa o Muse Spark, foi lançada com recursos no Brasil em julho de 2026. A documentação da API não traz uma lista de idiomas suportados pelo Muse Spark, então teste com seus próprios textos.

Fontes e leitura recomendada

Sobre

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