Para proteger um RAG existente em Prompt flow, revise todo o caminho entre aplicação, busca, armazenamento e modelo. RAG é a geração de respostas apoiada na recuperação de documentos. Uma rede privada ajuda a controlar conexões, mas não decide quais documentos cada pessoa pode consultar nem impede que uma resposta contenha informação indevida.
Há uma decisão anterior à configuração: a Microsoft informa que Prompt flow no Microsoft Foundry e no Azure Machine Learning será aposentado em 20 de abril de 2027 e não o recomenda para novos projetos. Este guia trata da proteção de instalações existentes e da preparação da migração, sem apresentar Prompt flow como novidade ou como escolha padrão para uma implantação nova.
Resumo rápido
- Confirme se o projeto pertence à experiência clássica baseada em hub.
- Inventarie entrada, saída, armazenamento, busca e serviço de modelo.
- Teste conectividade e autorização separadamente.
- Valide isolamento entre usuários antes de usar documentos reais.
- Planeje a migração enquanto mantém o fluxo existente controlado.
Prompt flow, Foundry e o que muda para projetos existentes
A documentação conceitual identifica Prompt flow na experiência clássica do Microsoft Foundry e distingue projetos baseados em hub dos projetos Foundry. Isso corrige uma ambiguidade comum em materiais que ainda usam o nome Azure AI Studio sem informar a geração do ambiente.
O aviso oficial também informa que as imagens de contêiner do Prompt flow deixaram de receber atualizações, incluindo correções de segurança e pacotes. Portanto, isolar a rede não resolve o ciclo de manutenção do runtime. A empresa precisa registrar a dependência e organizar sua substituição antes da aposentadoria anunciada.
Comece pelo inventário do que já existe. Registre o projeto, o workspace, o recurso de computação, os fluxos publicados e as aplicações que os chamam. Identifique quem mantém cada componente. Não faça uma migração apenas trocando nomes em um diagrama: a lógica de execução, as dependências e o modo de autenticação precisam ser conferidos no destino.
Para quem está começando agora, a orientação prática é avaliar uma arquitetura suportada, utilizando a documentação atual da Microsoft. O conhecimento sobre recuperação de documentos continua útil, mesmo que a ferramenta de orquestração mude. Nosso guia de RAG e bancos vetoriais explica essa separação entre conteúdo, recuperação e geração.
Desenhe a rede e a autorização como controles diferentes
Uma VNet é uma rede virtual. Um private endpoint oferece uma interface privada para alcançar um serviço compatível. Esses elementos participam do controle de conectividade. Já a autenticação identifica quem chama, e a autorização decide o que essa identidade pode fazer. Aprovar uma conexão privada não equivale a liberar todos os documentos do serviço.
No desenho do RAG, represente a entrada do usuário, a execução do fluxo, a consulta ao índice, o acesso aos documentos e a chamada ao modelo. Inclua também registros, imagens de contêiner e dependências de execução. Cada seta precisa ter um destino conhecido, uma identidade e um responsável por sua configuração.
A documentação de private endpoint no Azure AI Search apresenta o mecanismo para acesso privado à busca. A implantação precisa ser conferida a partir do ambiente que realmente executa a consulta. Um teste feito no computador do administrador não comprova que o runtime usa o mesmo caminho.
| Camada | Pergunta de revisão | Evidência esperada |
|---|---|---|
| Rede | O runtime alcança o destino permitido? | Teste realizado dentro do ambiente de execução |
| Identidade | Quem assina a chamada? | Identidade documentada e credenciais protegidas |
| Autorização | Que conteúdo pode ser recuperado? | Teste de acesso permitido e negado |
| Resposta | A afirmação tem apoio no documento? | Comparação com evidência e referência utilizada |
Use essa tabela como roteiro de revisão, não como declaração de segurança pronta. Uma resposta correta não prova que a rede está isolada. Uma conexão recusada também não prova que a autorização dos documentos está correta. Os controles precisam de testes próprios, feitos com hipóteses claras.
Como revisar o isolamento de um fluxo já implantado
O guia oficial de isolamento de rede do Prompt flow descreve redes gerenciadas pelo workspace e redes próprias. Ele também explicita restrições entre essas opções e o modo de implantação. Não presuma que autoria e inferência usam a mesma topologia só porque aparecem no mesmo projeto.
Como procedimento de revisão, primeiro exporte ou registre a configuração vigente. Depois, liste os recursos que precisam ser acessados e confronte essa lista com as regras existentes. Uma liberação ampla criada durante a prototipagem deve ser investigada antes de virar parte permanente da operação.
Confira a resolução de nomes a partir do runtime, as conexões privadas aprovadas e as permissões da identidade utilizada. Se uma chamada falhar, preserve o código de erro e identifique em qual etapa ocorreu. Trocar a rede para acesso público pode esconder o problema, mas não demonstra que o desenho privado funciona.
Separe também acesso de entrada e de saída. Restringir quem chama o endpoint não documenta para onde o fluxo envia informações. Construa um pequeno teste para cada dependência, usando conteúdo sintético. Somente depois execute o fluxo inteiro, para distinguir uma falha de conectividade de um problema na recuperação ou no prompt.
Ao concluir, faça um teste de negação: tente uma origem ou identidade que não deveria funcionar. Guarde evidências sem expor segredos. A revisão só fica completa quando há tanto uma chamada permitida bem-sucedida quanto uma tentativa indevida recusada pelo controle esperado.
Recuperação de documentos, avaliação e plano de migração
A segurança da busca não termina no endereço do serviço. O índice precisa representar as fronteiras de acesso do negócio. Como recomendação de projeto, trate a identidade do usuário como dado confiável obtido pela aplicação, não como um campo livre que a pessoa escreve no chat. Verifique as permissões antes de fornecer trechos ao modelo.
A página de proteções do Azure AI Search diferencia mecanismos administrados pela Microsoft de configurações sob responsabilidade do cliente. Essa distinção evita apresentar criptografia ou infraestrutura gerenciada como prova de isolamento entre departamentos da sua empresa.
Monte uma coleção de avaliação com documentos permitidos, documentos proibidos e perguntas sem resposta disponível. Inclua arquivos desatualizados e trechos conflitantes. Defina o comportamento esperado para cada caso: citar a versão vigente, explicar a falta de evidência ou recusar o acesso, conforme a política da aplicação.
Também inclua instruções maliciosas dentro de um documento de teste, como um pedido para ignorar regras e revelar outros arquivos. Esse conteúdo deve ser tratado como material consultado, sem adquirir autoridade sobre o sistema. Veja o roteiro de testes contra injeção de prompt para organizar cenários adversariais.
Para a migração, a Microsoft publica um guia de passagem para Microsoft Agent Framework. Use-o como referência para mapear a solução existente. A mudança precisa preservar contratos de entrada e saída, regras de acesso e evidências de avaliação, e não apenas reproduzir a aparência do fluxo visual.
Uma sequência útil é congelar um conjunto de testes, implementar um caminho equivalente no destino e comparar os resultados com dados sintéticos. Depois, faça uma liberação limitada com possibilidade de retorno. O responsável pelo negócio deve participar da avaliação: equivalência técnica não garante que referências, recusas e mensagens continuem compreensíveis.
Registre ainda os componentes que serão desligados. Um endpoint antigo esquecido pode continuar recebendo chamadas mesmo após a migração principal. Confira consumidores, configurações de integração e procedimentos de suporte antes de encerrar o ambiente. A retirada precisa ser observável, com confirmação de que o tráfego autorizado foi transferido.
Exemplo: empresa de manutenção em Recife consulta manuais internos
Imagine uma empresa de manutenção industrial em Recife que já usa Prompt flow para consultar procedimentos técnicos. O caso é ilustrativo. Não representa implantação realizada nem resultado medido. A equipe quer manter o assistente funcionando enquanto prepara a migração para uma solução suportada.
Os documentos incluem manuais gerais e instruções restritas a contratos específicos. Na revisão, a empresa cria usuários fictícios de duas equipes e documentos sintéticos com marcas distintas. Uma pergunta feita pela primeira equipe não pode recuperar o material exclusivo da segunda, mesmo que o texto seja muito parecido.
O time técnico verifica separadamente o acesso ao índice, a chamada ao modelo e a leitura do armazenamento. Faz os testes a partir do ambiente de execução. Uma falha na busca deve produzir uma mensagem de indisponibilidade, sem permitir que o modelo improvise um procedimento de manutenção a partir da memória.
O supervisor avalia as respostas com uma lista de perguntas usuais. Quando o manual não oferece evidência suficiente, o comportamento esperado é solicitar revisão humana. A resposta deve permitir localizar a fonte usada. O assistente não autoriza intervenções físicas nem substitui a validação do profissional responsável.
Durante a migração, os mesmos testes são executados no novo fluxo. A equipe compara referências, negativas de acesso e mensagens de erro. Só amplia a utilização depois de entender as diferenças. O resultado pretendido é preservar controle e rastreabilidade durante a transição, sem prometer economia ou segurança absoluta.
Erros comuns
- Iniciar um projeto novo em tecnologia em aposentadoria: avalie o ciclo de suporte antes de investir em um fluxo que precisará ser substituído.
- Confundir endpoint privado com autorização: a rede limita conexões, mas a aplicação ainda precisa respeitar o acesso aos documentos.
- Validar somente no notebook do administrador: reproduza as chamadas no ambiente de autoria e no de inferência que serão usados.
- Abrir toda a saída para resolver um erro: investigue destino, identidade e resolução de nomes antes de alterar as fronteiras de rede.
- Migrar sem testes de recusa: preserve os casos em que a resposta correta é não recuperar ou não responder.
Outro problema é avaliar apenas a fluência do texto. Uma resposta bem escrita pode citar um documento antigo ou recuperar informações de outra equipe. O teste precisa registrar quais trechos foram usados e qual política deveria ter sido aplicada, permitindo que o erro seja corrigido na etapa certa.
Perguntas frequentes
Prompt flow ainda é indicado para novos projetos?
A orientação oficial consultada não o recomenda para novos desenvolvimentos e informa aposentadoria em 20 de abril de 2027. Para instalações existentes, organize a migração e confira as dependências do runtime.
Uma VNet impede o modelo de inventar respostas?
Não. Conectividade e qualidade são problemas diferentes. Avalie apoio documental, referências e comportamento quando a busca não encontra evidência suficiente para responder.
É possível confiar apenas no acesso privado da busca?
Não. A busca também precisa receber chamadas de identidades autorizadas e devolver somente o conteúdo permitido. Teste usuários com permissões diferentes e perguntas que tentem cruzar essas fronteiras.
Posso reaproveitar a coleção de avaliação na migração?
Sim, como prática de engenharia. Preserve os casos e os resultados esperados, revisando diferenças de formato e de ferramentas. Isso facilita identificar regressões que uma demonstração isolada não revela.
Todo recurso necessário estará disponível na minha região?
Não presuma isso. Confira região, tipo de recurso e requisitos de cada componente na documentação aplicável à sua assinatura. Este guia não afirma disponibilidade de toda a arquitetura em uma região brasileira específica.