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Google Ads: prioridade de canais e alocação de orçamento nas campanhas

Google Ads ganha prioridade alta/baixa por canal e teto de gasto para canais secundários em Pesquisa, Shopping, Performance Max e Demand Gen. Veja como configurar.

Google Ads: prioridade de canais e alocação de orçamento nas campanhas
Imagem: capa editorial — Novidades e Integrações

O Google Ads ganhou dois controles opcionais para orientar onde o orçamento é gasto: a priorização de canais (channel prioritization), que classifica cada canal como prioridade alta ou baixa, e a alocação de orçamento (budget allocation), que limita a porcentagem do orçamento diário que um canal de prioridade baixa pode consumir. Os controles valem para campanhas de Pesquisa, Shopping, Performance Max e Demand Gen, podem ser definidos na conta ou na campanha e começaram a ser liberados em 15 de outubro de 2026, de forma gradual.

Na prática, isso substitui o “tudo ou nada” que muitos anunciantes conheciam: em vez de desligar a rede de parceiros de pesquisa ou a Rede de Display por medo de desperdício, você pode mantê-las ligadas com teto de gasto. A mudança também tem prazo: em fevereiro de 2027, campanhas de Pesquisa com a Rede de Display ativa passam automaticamente para o novo modelo. Abaixo, como funciona, como configurar e o que revisar antes dessa data.

Resumo rápido

  • Cada canal recebe prioridade alta (gasta primeiro) ou baixa (recebe o que sobra). Por padrão, todos começam como alta.
  • Em canais de prioridade baixa, você pode definir um teto em porcentagem do orçamento médio diário. O limite é de “melhor esforço”, não garantido.
  • Vale para Pesquisa, Shopping, Performance Max e Demand Gen. Em Demand Gen há priorização, mas não alocação de orçamento.
  • Se a campanha usa CPA desejado ou ROAS desejado e não está limitada por orçamento, a prioridade quase não muda nada; o teto de alocação continua valendo.
  • Em fevereiro de 2027, campanhas de Pesquisa com Rede de Display migram para o novo modelo. Para manter o comportamento atual, o Google sugere Display em prioridade baixa com 50% de alocação.

O que o Google anunciou

O anúncio foi publicado no blog oficial do Google em 14 de outubro de 2026 por Tal Akabas, diretor de produto do Google Ads. O texto apresenta os dois controles como opcionais e diz que eles estão sendo liberados globalmente “nos próximos meses” para Pesquisa, Shopping, Performance Max e Demand Gen. A Central de Ajuda detalha que a liberação começou em 15 de outubro de 2026 e que a disponibilidade varia por conta, tipo de campanha e momento.

O Google não descreve a novidade como beta nem publicou cronograma por país. Como o anúncio fala em lançamento global, o recurso deve chegar a contas brasileiras, mas a empresa não confirmou uma data específica para o Brasil. Se o cartão ainda não aparece na sua conta, a explicação mais provável é a liberação gradual.

Os controles podem ser gerenciados no Google Ads e no Search Ads 360. O suporte na API do Google Ads e no Google Ads Editor aparece como “em breve” na documentação, então quem administra contas por script ou planilha precisa ajustar manualmente por enquanto.

Vale situar a novidade no conjunto. O AI Max para campanhas de Pesquisa e o Asset Studio, que tratam de correspondência de termos e criação de anúncios, já foram cobertos no nosso post sobre IA no Google Ads com AI Max e Asset Studio. A priorização de canais não mexe em criativos nem em palavras-chave: ela atua só na distribuição do orçamento entre os canais onde a campanha já pode veicular.

Como funcionam a prioridade e a alocação

Prioridade alta e prioridade baixa

Canais de prioridade alta recebem o orçamento primeiro. Quando a campanha usa CPA desejado (custo por aquisição) ou ROAS desejado (retorno sobre o gasto com anúncios), esse gasto acontece dentro da meta. O que sobra vai para os canais de prioridade baixa, que, nas campanhas com meta, continuam tentando atingir o mesmo CPA ou ROAS. A ideia é usar a prioridade baixa para canais que você valoriza menos, sem precisar excluí-los.

Alocação de orçamento

Para cada canal de prioridade baixa, você pode informar um teto diário em porcentagem. O cálculo usa o orçamento médio diário da campanha, não o gasto real. No exemplo da própria Central de Ajuda, 5% sobre um orçamento médio diário de US$ 1.000 busca manter o canal em até US$ 50 por dia. A alocação zera todo dia: o que não foi gasto, ou o que passou do teto, não é compensado no dia seguinte. Um canal de prioridade baixa com 0% não recebe gasto.

O ponto que mais gera mal-entendido: o Google afirma que a alocação funciona “em regime de melhor esforço”. Em alguns dias, o gasto de um canal pode passar do teto, inclusive nos dias em que a campanha gasta acima do orçamento médio diário. Trate o número como direção, não como trava contábil.

Quais canais aparecem em cada tipo de campanha

Os canais que você consegue priorizar mudam conforme o tipo de campanha. Em Performance Max e Demand Gen, as superfícies próprias do Google (Pesquisa, YouTube, Maps, Gmail e Discover) vêm agrupadas como um único bloco chamado “canais do Google”. Não dá, por esse controle, separar YouTube de Gmail dentro de uma Performance Max.

Tipo de campanha Canais configuráveis Alocação de orçamento
Pesquisa Pesquisa Google, parceiros de pesquisa do Google, Rede de Display do Google (cada um separado) Sim, para canais de prioridade baixa
Shopping Pesquisa Google, parceiros de pesquisa do Google Sim, para canais de prioridade baixa
Performance Max Canais do Google (agrupados), parceiros de pesquisa do Google, Rede de Display do Google Sim, para canais de prioridade baixa
Demand Gen Canais do Google (agrupados), Rede de Display do Google Não; só priorização

Para controle mais fino de superfícies individuais, a Central de Ajuda aponta as campanhas de Pesquisa e Demand Gen, que permitem desativar cada canal compatível. As outras mudanças recentes de Demand Gen, como formatos e controles de canal da própria campanha, estão no nosso post sobre as atualizações do Demand Gen no Google Ads.

O efeito depende da estratégia de lances

Este é o trecho da documentação que mais muda a expectativa. A priorização só redistribui dinheiro quando existe disputa por orçamento. Se a campanha não está limitada por orçamento, não há o que redistribuir.

Estratégia de lances Efeito da prioridade Efeito da alocação
CPA desejado, ROAS desejado ou CPC desejado, sem limitação de orçamento Em geral, não muda o gasto Continua valendo nos canais de prioridade baixa
CPA desejado, ROAS desejado ou CPC desejado, limitada por orçamento Canais de prioridade alta gastam primeiro, dentro da meta; o orçamento passa aos de prioridade baixa quando eles conseguem atingir a meta Continua valendo
Maximizar conversões, Maximizar valor da conversão, Maximizar cliques, CPC manual, Parcela de impressões desejada Canais de prioridade alta gastam primeiro; a sobra vai para os de prioridade baixa Continua valendo

Por isso o Google destaca a alocação como o controle mais útil para campanhas com CPA ou ROAS desejado que não estão limitadas por orçamento: nelas, a prioridade sozinha costuma não alterar os resultados, mas o teto percentual ainda segura o gasto do canal secundário.

Como configurar na conta e na campanha

No nível da conta

  1. Abra as Configurações da conta.
  2. Localize o cartão Priorização de canais (Channel Prioritization).
  3. Escolha o tipo de campanha: Pesquisa, Shopping, Demand Gen ou Performance Max.
  4. Marque cada canal como prioridade alta ou baixa.
  5. Se quiser, informe a porcentagem de alocação para os canais de prioridade baixa.
  6. Salve.

No nível da campanha

  1. Na página de campanhas, abra a campanha desejada e vá em Configurações.
  2. Expanda Priorização de canais e escolha usar configurações no nível da campanha, o que substitui o padrão da conta. Dá para voltar ao padrão quando quiser.
  3. Defina prioridades e, se for o caso, porcentagens. Salve.

Os nomes acima seguem a documentação oficial; os rótulos exatos na interface em português podem variar um pouco durante a liberação.

Regras que valem conhecer

  • Orçamentos compartilhados: a configuração vale para todas as campanhas que dividem o orçamento, e a alocação é calculada sobre o orçamento compartilhado inteiro. Essas campanhas precisam ser do mesmo tipo.
  • Orçamento total da campanha: só é compatível com a priorização em Demand Gen. Nos outros tipos, as configurações não se aplicam.
  • Conta de administrador (MCC): não é possível definir prioridade a partir dela. Ajuste em cada conta de cliente ou campanha.
  • Experimentos personalizados: aceitam as configurações, mas orçamentos compartilhados entre várias campanhas não são compatíveis em experimentos, e ali todos os canais ficam no mesmo nível de prioridade.

A mudança de fevereiro de 2027 nas campanhas de Pesquisa

Hoje, campanhas de Pesquisa podem veicular também na Rede de Display do Google pela chamada expansão para Display, com uma lógica própria de distribuição do orçamento. Segundo a Central de Ajuda, em fevereiro de 2027 as campanhas de Pesquisa com expansão para Display ativa migram automaticamente para a priorização de canais e alocação de orçamento, e o gasto pode mudar de distribuição entre os canais.

Até lá, campanhas que não tiverem prioridades definidas mantêm o comportamento atual. Se você definir prioridades numa campanha de Pesquisa antes de fevereiro de 2027, as novas regras passam a valer na hora e substituem a lógica antiga de orçamento da expansão para Display.

Para manter a configuração atual depois da migração, o Google recomenda colocar a Rede de Display em prioridade baixa com 50% de alocação do orçamento diário. Outro detalhe: a Rede de Display deixará de veicular em campanhas de Pesquisa que usam a estratégia Parcela de impressões desejada. Se você usa essa estratégia para proteger termos de marca, revise esse ponto agora.

Exemplo: uma loja de móveis em Curitiba

Imagine uma loja de móveis planejados em Curitiba com três campanhas: Pesquisa para termos como “cozinha planejada Curitiba”, uma Performance Max com o catálogo e uma Demand Gen para gerar interesse no YouTube. A agência que cuida da conta desligou os parceiros de pesquisa há um ano por desconfiança e deixou a Rede de Display ligada na Pesquisa sem acompanhar quanto ela consome.

Com os novos controles, um plano razoável seria:

  • Pesquisa: Pesquisa Google em prioridade alta. Parceiros de pesquisa religados em prioridade baixa com teto pequeno, para testar sem risco grande. Rede de Display em prioridade baixa com um teto definido pela equipe, já antecipando a migração de fevereiro de 2027.
  • Performance Max: canais do Google em prioridade alta, parceiros de pesquisa e Display em prioridade baixa com teto, se os relatórios de canal mostrarem gasto desproporcional nesses inventários.
  • Demand Gen: como não há alocação nesse tipo, a equipe usa só a prioridade e, se precisar de controle mais duro, desativa canais pela própria configuração da campanha.

Antes de mexer, a equipe confere se cada campanha está ou não limitada por orçamento. A Performance Max com ROAS desejado que não gasta o orçamento inteiro, por exemplo, quase não vai sentir a prioridade; nela, o que de fato atua é o teto de alocação. Depois de duas a quatro semanas, compara conversões e custo por conversão de cada canal antes de apertar ou afrouxar as porcentagens.

Erros comuns

  • Esperar efeito da prioridade numa campanha sem limitação de orçamento. Com CPA ou ROAS desejado e orçamento sobrando, a prioridade em geral não muda o gasto. Use a alocação.
  • Tratar o teto como garantido. A alocação é de melhor esforço. Monitore o gasto por canal em vez de assumir que ele nunca passa do limite.
  • Calcular a porcentagem sobre o gasto real. A base é o orçamento médio diário da campanha. Se a campanha gasta abaixo do orçamento, o teto em reais fica relativamente mais folgado.
  • Procurar alocação em Demand Gen. Ela não existe nesse tipo de campanha; só a priorização.
  • Configurar pela conta de administrador. Não funciona. Ajuste em cada conta de cliente.
  • Deixar a migração de fevereiro de 2027 para a última hora. Campanhas de Pesquisa com Display ativo vão mudar sozinhas. Decida antes qual teto você quer.
  • Mexer em orçamento compartilhado achando que afeta uma campanha só. A configuração vale para todas as campanhas daquele orçamento.

Perguntas frequentes

A priorização de canais já está disponível no Brasil?

O Google diz que o lançamento é global e gradual, a partir de 15 de outubro de 2026, mas não publicou data por país. Se o cartão de priorização ainda não aparece nas configurações da sua conta, é provável que a liberação ainda não tenha chegado a ela.

É um recurso beta?

A documentação e o anúncio não falam em beta nem em programa de acesso antecipado. Os controles são opcionais e, por padrão, todos os canais começam em prioridade alta.

Consigo separar YouTube, Gmail e Discover numa Performance Max?

Não por este controle. Em Performance Max e Demand Gen, essas superfícies ficam agrupadas como “canais do Google”. Para controlar superfícies individualmente, a Central de Ajuda indica campanhas de Pesquisa e Demand Gen, que permitem desativar canais.

Funciona pela API ou pelo Google Ads Editor?

Ainda não. A documentação lista suporte no Google Ads e no Search Ads 360 e marca a API e o Editor como “em breve”.

O que acontece se eu não fizer nada?

Nas campanhas em geral, nada muda: todos os canais seguem em prioridade alta, sem teto. A exceção são as campanhas de Pesquisa com expansão para Display ativa, que migram automaticamente em fevereiro de 2027 e podem ter o gasto redistribuído.

Isso tem relação com o AI Max?

Não diretamente. O AI Max trata de correspondência de buscas e criativos nas campanhas de Pesquisa; a priorização decide como o orçamento se divide entre canais. As duas coisas podem conviver na mesma campanha. Veja outras novidades de IA do Google na nossa página de integrações do Google Gemini.

Fontes e leitura recomendada

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